quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Movimento Negro Unificado Seção Caxias do Sul/RS rumo ao VXII Congresso Nacional do MNU

Dia 20 de julho de 2014, na sede do SINDISPREV-RS, foi realizada a plenária do MNU para debate das metas do Movimento Negro Unificado para suas próximas atuações. Com a presença dos militantes as discussões se estenderam das 9:00 horas até as 15 horas, culminando com a retirada dos delegados e delegadas ao XVII Congresso Nacional do MNU que acontecerá,dias 15,16 e 19 de agosto, em Amaralina, Salvador, Bahia. Desse Congresso sairão eleitos os próximos Coordenadores Nacionais da Organização, que irão tomar as decisões, juntamente com a militância, que irão pautar a luta do MNU pelos próximos dois anos até o próximo Congresso Nacional. maria Geneci Silveira - MNU - Seção Caxias do Sul

O que é o Movimento Negro?

Movimento Negro Unificado Marcha no dia da Consciência Negra/SP Por meio das reflexões de Ilse Scherer-Warren, um movimento social é “um grupo mais ou menos organizado, sob uma liderança determinada ou não; possuindo programa, objetivos ou plano comum; baseando-se numa mesma doutrina, princípios valorativos ou ideologia, visando um fim específico ou uma mudança social”. Assim, podemos inferir que o Movimento Negro é a luta dos afrodescendentes para resolver os problemas da sociedade em que vivem – já que estão envoltos por preconceitos e discriminações raciais que os marginalizam no meio social, no mercado de trabalho, no sistema educacional e nos meios político e cultural. As entidades eram de cunho assistencialista, recreativa e/ou cultural, e elas conseguiam agregar um número não desprezível de 'homens de cor', como se falava na época. Alguns desses movimentos, conforme disse Henrique Cunha Júnior, tiveram como base de formação “determinadas classes de trabalhadores negros, tais como: portuários, ferroviários e ensacadores, constituindo uma espécie de entidade sindical”. O Movimento Negro do Brasil é dividido em três fases: Primeira fase (1889-1937) Segunda fase (1945-1964) Terceira fase (1978-2000) As três fases desses movimentos apresentam como ponto de partida a luta pelos direitos dos negros, diferenciando-se apenas no enfoque dado aos temas e na organização das pessoas participantes dos grupos. Na primeira fase, são métodos de luta, por exemplo, a criação de agremiações negras, palestras, atos públicos e publicações de jornais. Na segunda fase, há um foco no teatro, na imprensa, nos eventos acadêmicos e nas ações que visam à sensibilidade da elite branca para os problemas enfrentados pelos negros no país. Já a terceira fase se apodera de manifestações públicas, imprensa, formação de comitês de base e movimentos nacionais. O Movimentos Negro que teve maior expressividade foi a Frente Negra Brasileira (FNB) - fundada em 1931 por meio de uma forte organização centralizada e composta por 20 membros - além de milhares de associados e simpatizantes. A FNB, com grande representatividade política e social, passou a se constituir como um partido político. A nova fase durou pouco tempo, estendeu-se até 1937 devido à decretação do Estado Novo (Getúlio Vargas). Abdias do Nascimento Nesta mesma época, todos os partidos políticos foram declarados ilegais e os movimentos sociais negros precisaram se voltar para outras formas de resistência; assim, o que sobrou foi a resistência cultural. Como exemplo dessa reivindicação abraçada à cultura, entra em cena o Teatro Experimental do Negro (TEN), fundado por Abdias do Nascimento. Alguns Movimentos Negros que fizeram história no Brasil: Sociedade Progresso da Raça Africana 1891 Clube 28 de Setembro 1897 Clube 13 de Maio dos Homens Pretos 1902 Centro Literário dos Homens de 1903 Sociedade Propugnadora 13 de maio 1906 Centro Cultural Henrique Dias 1908 Socorros Mútuos Princesa do Sul 1908 Grupo Dramático e Recreativo Kosmos 1908 Sociedade União Cívica dos Homens de Cor 1915 Associação Protetora dos Brasileiros Pretos 1917 Centro da Federação dos Homens de Cor 1917 Centro Cívico Cruz e Souza 1918 Sociedade Brinco das Princesas 1925 Centro Cívico Palmares 1926 Frente Negra Brasileira (FNB) 1931 Sociedade Flor do abacate 1932 Legião Negra 1932 Sociedade Henrique Dias 1934 Legião Negra 1934 Sociedade Henrique Dias 1937 União dos Homens de Cor (UHC) 1943 Grêmio Literário Cruz e Souza 1943 Teatro Experimental do Negro (TEM) 1944 Comitê Democrático Afro-Brasileiro 1944 Associação do Negro Brasileiro 1945 Conselho Nacional das Mulheres Negras 1950 Associação José do Patrocínio 1951 Frente Negra Trabalhista 1954 Associação Cultural do Negro 1954 União Cultural dos Homens de Cor (UCHC) 1962 Fundação da União Catarinense dos Homens de Cor 1962 Centro de Cultura e Arte Negra (CECAN) 1972 Grupo Palmares 1971 Movimento Negro Unificado 1978 Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial 1978 Contra o racismo O maior desafio do Movimento Negro no Brasil é acabar com o preconceito racial. Essa luta não vem de hoje. O movimento começou a ganhar força na década de 1930, com a Frente Negra Brasileira. Em 1978, foi fundado o Movimento Negro Unificado, que deu origem a vários grupos de combate ao racismo, como associações de bairro, terreiros de candomblé, blocos carnavalescos, núcleos de pesquisas e várias organizações não governamentais. Conheça aqui algumas dessas principais entidades: Centro Nacional de Informação e Referência da Cultura Negra Fundação Cultural Palmares Instituto da Mulher Negra Geledés Instituto do Negro Padre Batista Projeto Geração XXI Casa das Áfricas Núcleo de Consciência Negra Lei contra o preconceito A Lei Afonso Arinos (1951) considerava o preconceito racial uma contravenção, e não um crime. Ou seja, ofender um negro não resultava em punição. Em 1989, a comunidade negra de São Paulo fez um enterro simbólico dessa lei e, no mesmo ano, foi aprovada a Lei Caó, que transformou o preconceito em crime. Hoje o Congresso Nacional está estudando uma proposta de lei apresentada pelo Movimento pelas Reparações dos Afrodescendentes (MPR), que obriga o governo brasileiro a indenizar todos os 70 milhões de afrodescendentes no Brasil de hoje pelo crime cometido pela escravidão. Cada um receberia 102 mil reais (este é o valor estimado, pois ainda não foi estipulado). Comissões de direitos humanos e ONGs avaliam formas de obrigar o governo a investir esse dinheiro nas chamadas ações afirmativas, como cotas para negros em universidades, no mercado de trabalho e nos meios de comunicação. Uma importante conquista dos afro-brasileiros foi a aprovação do Estatuto da Igualdade Racial, que entrou em vigor no dia 20 de outubro de 2010.

quinta-feira, 3 de julho de 2014

O Genocídio do jovem negro em marcha.

by mamapress Enviado por Joca Neto de Belo Horizonte por Agência Brasil em Jornalismo 02/07/2014 Com mais de 56 mil homicídios, Brasil bate recorde e fica em sétimo lugar entre 100 países O Brasil precisa acordar para esta tragédia que atinge a população brasileira como um todo, mas que devido ao racismo institucional de estado e ao racismo cultural de toda a sociedade, se abate notadamente sobre os homens negros, principalmente jovens pardos e pretos entre 15 a 29 anos. Para cada morto existe uma família que fica, que além da dor emocional da perda física de um ente querido, sofre um abalo econômico que atinge não só a vida da família, como abala a economia de toda a sociedade brasileira. O número de 41.127 negros mortos, em 2012, e 14.928 brancos é um retrato cruel das diferenças raciais no Brasil e apenas apontam o estado emocional subjacente que vive cada pessoa e cada família negra brasileira. Cada morto tem parentes, amigos, vizinhos e conhecidos. Cada criança negra vê seu possível futuro, quando no caminho da escola tropeça no corpo desovado de um jovem criança igual a ela. Cada morto é um parceiro ou seria um futuro parceiro de uma mulher negra que nas próximas décadas não terão possibilidade de escolha entre os homens, de um homem negro para constituir família, pois este homen negro já não existe agora. Políticas públicas tem sido tomadas para estancar este sangramento genocida, a maioria destas medidas tem sido realizadas na área de segurança pública. Mas por que este índice de mortalidade real só aumenta? A morte violenta do jovem negro é aceita pela sociedade, além de estimulada pelas mídias e pelo senso comum de cada brasileiro, de que violência só se acaba com violência. O genocídio do negro brasileiro não é só uma questão de segurança pública, nem só de mal comportamento de policiais, o genocídio do negro brasileiro faz parte da mentalidade de cada um de nós brasileiros e brasileiras. Parte dos brasileiros estimulam este genocídio enquanto a maior parte aceita passivamente este sangramento econômico, social, cultural e racial da sociedade brasileira. É hora de termos um plano nacional que ajude a nós todos a mudarmos nossa mentalidade racista e que aceita como normal a violência dos homicídios contra os jovens negros, que está acontecendo em nossas esquinas. MR Brasil bate recorde em homicídios e fica em sétimo lugar entre 100 países Helena Martins - Repórter da Agência Brasil Edição: Graça Adjuto A cada dia, 154 pessoas morreram, em média, vítimas de homicídio no Brasil, em 2012. Ao todo, foram 56.337 pessoas que perderam a vida assassinadas, 7% a mais do que em 2011. Os dados são do Mapa da Violência 2014, que mostra um crescimento de 13,4% de registros desse tipo de morte em comparação com o número obtido em 2002. O percentual é um pouco maior que o de crescimento da população total do país: 11,1%. As principais vítimas são jovens do sexo masculino e negros. Ao todo, foram vítimas desse tipo de morte 30.072 jovens, com idade entre 15 e 29 anos. O número representa 53,4% do total de homicídios do país. Também, desse total, 91,6% eram homens. Jovem, homem e negro Os dados de 2012, último ano da série projetada pelo mapa, mostram ainda que, a partir dos 13 anos de idade, o percentual começa a crescer. Passa de quatro homicídios a cada 100 mil habitantes para 75, quando se chega aos 21 anos de idade. Os homicídios também vitimam majoritariamente negros, isso é, pretos e pardos. Foram 41.127 negros mortos, em 2012, e 14.928 brancos. Considerando toda a década (2002 – 2012), houve “crescente seletividade social”, nos termos do relatório. Enquanto o número de assassinatos de brancos diminuiu, passando de 19.846, em 2002, para 14.928, em 2012, as vítimas negras aumentaram de 29.656 para 41.127, no mesmo período. Ranking Ao todo, ao longo dessa década, morreram 556 mil pessoas vítimas de homicídio, “quantitativo que excede largamente o número de mortes da maioria dos conflitos armados registrados no mundo”, destaca o texto. Comparando 100 países que registraram taxa de homicídios, entre 2008 e 2012, para cada grupo de 100 mil habitantes, o estudo conclui que o Brasil ocupa o sétimo lugar no ranking dos analisados. Fica atrás de El Salvador, da Guatemala, de Trinidad e Tobago, da Colômbia, Venezuela e de Guadalupe. O Brasil já ocupou posições piores no ranking. A situação foi amenizada tanto por políticas de enfrentamento à violência desenvolvidas internamente, que frearam o crescimento exponencial das mortes, quanto pelo fato de países, especialmente da América Central, estarem vivendo “uma eclosão de violência”. Sobre isso, o relatório destaca que mesmo os países com menores taxas da América Latina, quando comparados com os da Europa ou da Ásia, assumem posições intermediárias ou mesmo de violência elevada. Nesses continentes, segundo a pesquisa, os índices não chegam a três homicídios em 100 mil habitantes. Entre as políticas desenvolvidas internamente, o estudo destaca a Campanha do Desarmamento e o Plano Nacional de Segurança Pública, em nível nacional, e ações em nível estadual, como as executadas em São Paulo e no Rio de Janeiro, que geraram quedas nos índices de homicídio em meados dos anos 2000. A magnitude desses lugares pesou na redução dos índices e possibilitou a leve melhora na posição do país no ranking mundial. Mesmo assim, a situação é preocupante, de acordo com o Mapa da Violência, que é baseado no Sistema de Informações de Mortalidade (SIM) e em outros dados do Ministério da Saúde. Balanço Entre 2002 e 2012, houve crescimento dos homicídios em 20 das 27 unidades da Federação. Sete delas tiveram crescimento explosivo: o Maranhão, Ceará, a Paraíba, o Pará, Amazonas e, especialmente - registra o estudo -, o Rio Grande do Norte e a Bahia. Nos dois últimos, as taxas de mortalidade juvenil devido a homicídios mais que triplicaram. Nesse último ano, houve aumento das mortes, especialmente entre os jovens. No caso do Rio de Janeiro, por exemplo, ocorreram 56,5 homicídios por grupo de 100 mil jovens, em 2012. Na década, as unidades que diminuíram as taxas foram: Mato Grosso, o Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Pernambuco e, com mais intensidade, o Rio de Janeiro e São Paulo. Apenas seis estados tiveram queda entre 2012 e 2011. Um deles, Pernambuco, diminuiu 6,8%. Os números, todavia, mostram o desafio: nesse estado, foram 73,8 homicídios a cada 100 mil jovens. mamapress | July 3, 2014 at 12:23 pm |

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Gentrificação e higienização racial das cidades vêm de longe

by mamapress Palácio do Povo-Berlim Protocolo de uma reunião oficial em Berlim em 14 de setembro de 1938, para construção do império germânico de 1000 anos: "Professor Speer desenvolveu um anteprojeto que prevê, que os grandes prédios sejam "desalugados" de maneira forçada, para torná-las livres de judeus. Esta proposta é para ser tratada de forma extremamente confidencial, pois o prof. Speer deseja antes ouvir ao "Fuhrer". Depois serão feitas as leis necessárias para que o plano seja cumprido. " Hitler concorda, e a equipe de Speer põe mãos às obras. No plano foi anotado, que bairros deveriam ficar "limpos de judeus"( Judenrein), o centro Ku`damm e o bairro Bavário. O documento foi escrito 8 semanas antes da "Noite dos Cristais", noite em que as Sinagogas e lojas de comércio judaicas foram atacadas e destruídas.* Um dos efeitos do processo de globalização, é o remanejamento forçado nas grandes metrópoles, de grupo populacionais que vivam em áreas previstas por arquitetos privados e governamentais a serem desocupadas, para darem espaço à chamada “revitalização” dos centros urbanos. Os centros de grandes cidades, como Londres, Paris e Rio de Janeiro entre outras mais, são vistos como áreas de passagem a serem preservadas para turistas nacionais e internacionais com poder aquisitivo suficiente para pertencerem a esta nova elite móvel, que se desloca pelo mundo. Não importa em que cidade este novo “cidadão do mundo” chegar, ele encontrará o mesmo padrão de qualidade e conforto na prestação de serviços. Grandes redes de lojas de moda, alimentação e hospedaria, farão o novo cliente “jetset” de massa se sentir em casa. Os mesmos supermercados e cinemas e as mesmas diversões para suas crianças serão oferecidas com uma qualidade padrão. Aos nativos destes centros urbanos, ficará reservado o “desalugamento forçado” e sofrerão remanejamento para as periferias. Em troca os removidos terão à sua disposição transporte rápido através de super vias, ônibus integrados e metrôs, para virem aos centros, entre 8 da manhã e 8 da noite, para servirem e divertirem com suas manifestações culturais típicas, os novos mandarins da globalização. Os jogos esportivos mundiais que possuem um grande poder de atração e conquistam a simpatia dos povos do mundo, servirão como alavanca para que estes planos aconteçam de forma rápida, imperceptível e quase indolor para a maioria da população, que antes de reclamarem, se manifestarão extasiadas com as obras monumentais que serão construídas, porém que, não poderão frequentar. *fonte: Die Welt

36 Anos de MNU............longa vida ao MNU................

Movimento Negro Unificado – MNU. Fundado, em 18.06.1978, com a denominação de Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial, isto em pleno período da ditadura militar. Lançado, em 07 de julho de 1978, nas escadarias do Teatro Municipal, em ato público, no centro da Capital paulista, com a presença de “cerca de duas mil pessoas”, conforme noticiou a Folha de São Paulo, no dia 8 de julho de 1978. “Os negros estão nas ruas” era a manchete de capa do Jornal “Versus – Afro-América Latina”, n.º 23, de julho/Agosto de 1978. Nas páginas 32, 33 e 34 são registradas impressões, fotos e os nomes dos/as principais atores e atrizes que marcam o surgimento do Dia Nacional de Luta Contra o Racismo. São, posteriormente, lançadas seções em Minas Gerais e Rio de Janeiro e Bahia. Hoje o MNU tem representação em 14 estados brasileiros. A mística do MNU estimulou nestes 24 anos, o surgimento de inúmeras organizações, do movimento negro, no Brasil. Esta mística, ainda tem tanta força que, por vezes, o MNU, que surgiu pretendendo ser um confederação de entidades e/ou organizações negras, é confundido e/ou visto como sinônimo de Movimento Negro. A força política do MNU, como uma organização do movimento negro, é indubitável, e ratificada pelos avanços e conquistas - os atrasos e derrotas também não foram poucas – no entanto, ao longo da sua existência podemos enumerar algumas vitórias: - Instituição do Dia 20 de Novembro – Dia Nacional da Consciência Negra , na 3ª Assembléia Nacional, realizada em 04 de novembro de 1978, na Bahia. Esta data foi criada pelo Grupo Palmares, de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, em 1971; - Desmistificação da tese gilbertofreireana da existência de uma democracia racial com a instituição do Dia 13 de maio como Dia Nacional de Denúncia contra Racismo; - Enterro simbólico da Lei Afonso Arinos, dada sua iniquidade, em São Paulo com Ato Público no 1979; - Articulação para formulação da criminalização do racismo, desde os municípios, passando pelos estados e chegado até a Convenção Nacional do Negro pela Constituinte, em 1986, em Brasília; - Contribuição com manifestações pela a libertação de Nelson Mandela; - Idealização e construção, juntamente com outras organizações, da Marcha Zumbi dos Palmares, que reuniu mais de 30 mil participantes em Brasília, em 1995; - Contribuição no processo de organização da Comissão Nacional das Comunidades Negras Rurais Quilombolas do Brasil ; e, - Articulação para o Estado criar mecanismos de coibição do racismo através de implementação de ações políticas e/ou políticas públicas. Adomair Ogumbyi

quarta-feira, 28 de maio de 2014

Advogado sindical e de direitos humanos, Sergio Martins, assassinado em Caxias-RJ

New post on Mamapress Advogado sindical e de direitos humanos, Sergio Martins, assassinado em Caxias-RJ by mamapress por Marcos Romão Sergio Martins Advogado sindicalista, ativista dos direitos humanos e da luta contra o racismo, Sérgio Martins foi assassinado hoje enquanto almoçava em um restaurante no centro de Caxias. Segundo fontes que por segurança não revelamos o nome, ele temia ser assassinado por haver descoberto irregularidades no sindicato em que trabalhava e que levou à demissão de um funcionário. Levado ainda com vida para o hospital, após baleado, ele teria revelado o autor do crime e de seu mandante. Nós da Mamapress e da Rede Radio Mamaterra manifestamos nossas condolências à família e aguardamos das autoridades policiais uma rápida investigação e prisão dos culpados. Em recente artigo para o Geledés, podemos ver um pouco da pessoa humana de Sergio Martins em sua Jornada pela Dignidade e sua preocupação com assassinatos de jovens no Brasil. http://www.geledes.org.br/sergio-martins-direito-e-reverso-direito-uma-jornada-pela-dignidade/ mamapress |

segunda-feira, 26 de maio de 2014

MNU-35 anos em marcha contra a discriminação racial

A história e os desdobramentos da passeata que definiu o movimento negro moderno POR MARIANA BRASIL Era 18 de junho de 1978 quando Robson Silveira da Luz, um feirante negro de 27 anos, foi acusado de roubar frutas em seu local de trabalho. Levado para o 44º departamento de polícia de Guaianazes, zona leste de São Paulo, foi torturado e morto por policiais militares sob a chefia do delegado Alberto Abdalla. Semanas depois, um grupo de 4 jovens foi impedido de jogar vôlei no hoje extinto Clube de Regatas Tietê. Fazia 90 anos da abolição da escravatura. Em resposta a esses fatos, um grupo de militantes negros se reuniu em um casarão no início da Rua da Consolação, em São Paulo, para discutir a construção de um movimento que pudesse mobilizar o Brasil contra a discriminação racial. Na lembrança de Hélio Santos, doutor em economia, administração e finanças e militante do movimento negro brasileiro, a manhã daquela reunião, que geraria muita repercussão nos anos vindouros, foi gasta discutindo o nome que o movimento teria. "Éramos eu, Abdias do Nascimento, Lélia Gonzalez, os irmãos Celso e Wilson Prudente e muito mais gente". O nome que prevaleceu foi Movimento Negro Unificado - nascia assim o MNU. i392227i392228 A primeira decisão tomada pelo grupo recém-formado foi ir às ruas protestar. Na fria manhã do dia 7 de julho, posteriormente transformado em data comemorativa do Dia Nacional de Luta Contra o Racismo, mais de três mil pessoas se reuniram em frente ao Theatro Municipal de São Paulo - palco, em 2013, de grande parte das manifestações contra o aumento na tarifa dos transportes. A manifestação de então, intitulada Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial, não era, obviamente, bem vista pelo governo vigente: era a época da ditadura presidida pelo general Geisel, e a política estatal se esforçava em ignorar a questão racial e em mostrar o país como uma democracia das raças. Em um ambiente de muito medo, os manifestantes agitavam cartazes e clamavam palavras de ordem em meio a agentes infiltrados do Serviço Nacional de Informação (SNI) e da Polícia Federal. "Eu lembro de vários policiais federais infiltrados, inclusive negros, se passando por jornalistas e entrevistando Lélia, Abdias e os outros dirigentes do movimento", rememorou o professor Hélio. Em um documento que se encontra atualmente no arquivo Ernesto Geisel, depositado no Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil (CPDOC) da Fundação Getúlio Vargas, um agente da repressão estatal escreveu: "Realizou-se em São Paulo, no dia 7 julho de 1978, na área fronteiriça ao Theatro Municipal, junto ao Viaduto do Chá, uma concentração organizada pelo autodenominado 'Movimento Unificado Contra a Discriminação Racial', integrado por vários grupos, cujos objetivos principais anunciados são: denunciar, permanentemente, todo tipo de racismo e organizar a comunidade negra. Embora não seja, ainda, um movimento de massa". Os dados disponíveis caracterizam a existência de uma campanha para estimular antagonismos raciais no País e, paralelamente, revelam tendências ideológicas de esquerda. A presença no Brasil de Abdias do Nascimento, professor em Nova Iorque, ativista negro, ligado aos movimentos de libertação na África, contribuiu para a instalação do já citado "Movimento Unificado". Outro documento do mesmo ano advertia que "esses movimentos, caso continuem a crescer e se radicalizar, poderão vir a criar conflitos raciais." A manifestação seguiu pacífica e, apesar da tensão, terminou sem casos de violência policial. Mas a vida da maioria dos seus organizadores não foi a mesma nas décadas que se seguiram. "Durante esse período da luta dos anos 70, o meu telefone foi grampeado várias vezes por conta da minha militância. O meu e de outros. O MNU era considerado pelo governo como subversivo, o racismo era um tema tabu", relembra Hélio. Ivair Alves dos Santos, professor de Ciências Sociais na UNB e vice-presidente do primeiro conselho da comunidade negra, criado no governo Montoro, em São Paulo, também esteve presente na manifestação. Lembra com tristeza das consequências que viu seus amigos sofrerem por terem participado de um movimento que buscava direitos em tempos de ditadura. "Aquilo afetou profundamente a vida das pessoas, de uma forma muitas vezes negativa. Muitos que lideraram aquele processo tiveram a vida profissional e pessoal modificada, acabaram perseguidos pela polícia, pelo DOPS (Departamento de Ordem Política e Social), tiveram uma vida muito conturbada. Alguns foram levados ao suicídio por essa perseguição. As principais lideranças pagaram um preço alto, nunca usufruíram do sucesso daquele movimento, nunca foram lembradas ou efetivamente homenageadas." A luta de 1978 mudaria muita coisa nos anos seguintes. Apesar das consequências funestas para muitos, a manifestação de 7 de julho de 1978 catalisou um sentimento de insatisfação e de luta por direitos contra o racismo que estava plantado em comunidades negras do país inteiro. "O RACISMO INSTITUCIONAL ESTÁ NO DNA DAS POLÍTICAS PÚBLICAS BRASILEIRAS, QUE SÃO INADEQUADAS PORQUE NÃO LEVAM EM CONTA A REALIDADE DE UM PA ÍS QUE PASSOU 70% DO SEU TEMPO HISTÓRICO COM ESCRAVIDÃO" FLORESCIMENTO Desde o início da década de 1970, já havia entidades que buscavam denunciar o racismo e organizar a comunidade negra. Por exemplo, o Grupo Palmares, criado em Porto Alegre, em 1971; o Centro de Estudos e Arte Negra (Cecan), aberto em São Paulo, em 1972; a Sociedade de Intercâmbio Brasil-África (Sinba), inaugurada no Rio de Janeiro, em 1974; e o Bloco Afro Ilê Aiyê, fundado em Salvador, também em 1974. Muitos participantes desses grupos, inclusive, estiveram na histórica reunião do MNU, em 1978. O próprio Ivair entrou em contato com o recém-fundado MNU, vindo do Cecan, onde havia começado a militar em 1972. "Eu participei de uma reunião do Cecan no Bixiga (região no centro de São Paulo), e lá me falaram da preparação para o protesto. Acabei não indo, mas apareci no Theatro Municipal e fiquei distribuindo panfletos." i392229 A bem da verdade, a década de 1970 não foi pioneira em gerar instituições que desafiavam o racismo. Logo depois da abolição, no final do século XIX, já circulavam jornais voltados para as populações negras, como o Treze de Maio, do Rio de Janeiro (1888), e O Exemplo, de Porto Alegre (1892). A imprensa negra paulista denunciou duramente a discriminação racial durante a década de 1920. Dela surgiram alguns dos fundadores da Frente Negra Brasileira, em 1931, que chegou a se transformar em partido político em 1936, mas foi extinta no ano seguinte, como os demais partidos, pelo Estado Novo. Na década de 1940, foram fundadas várias entidades, como a União dos Homens de Cor e o Teatro Experimental do Negro. Enquanto grandes massas miscigenadas acordam, neste momento, para lutar por seus direitos, os negros, em particular, nunca puderam se dar ao luxo de dormir. Para Ivair, no entanto, apesar de todo o histórico de lutas, a tomada das ruas em 1978 foi um marco importante para o movimento negro na modernidade. "Primeiro porque foi uma das primeiras manifestações em público, normalmente elas eram em locais fechados. E segundo porque teve uma ótima articulação - uma jornalista do grupo era ligada aos grandes meios de comunicação e fez uma chamada internacional alertando vários de seus contatos. A partir daí, o chamado da manifestação cresceu muito." Depois do protesto, aconteceu uma expansão do movimento, e apareceram grupos no Sul, Centro-Oeste e Nordeste. No mesmo ano, aconteceu o 1º Festival Comunitário Negro Zumbi (FECONEZU), foi fundada a Pastoral Afro-Brasileira, foram lançados os "Cadernos Negros" e nasceu o Grupo Negro da Bahia. Abdias do Nascimento, um dos mentores da manifestação, lançou o livro "Genocídio do Negro Brasileiro". No ano seguinte, surgiram a Fundação do Centro de Cultura Negra do Maranhão, o Bloco Afro Olodum, a Fundação do grupo de Mulheres Negras Aqualtune e o livro "Discriminação e Desigualdades Raciais no Brasil", de Carlos Hasenbalg. Em agosto de 1980, ocorreu o I Encontro Memorial Zumbi, em Alagoas, seguido, um ano depois, pelos Encontros de Negros do Norte e Nordeste. A partir de meados da década de 1980, registram-se outros encontros em diferentes estados, além dos Encontros de Negros do Sul-Sudeste e dos Encontros Estaduais e Nacionais de Mulheres Negras. O 1º Encontro Nacional de Comunidades Negras Rurais Quilombolas, realizado em 1995, deu origem à Comissão Nacional de Articulação das Comunidades Rurais Quilombolas, criada em 1996. "Na verdade, as pessoas começaram a se organizar no país enquanto movimento político a partir daí. Já existiam, claro, afiliações negras, mas eram grupos mais voltados para a cultura. A partir de 78, a política entrou de vez na pauta de protesto do movimento negro. O protesto em frente ao Theatro Municipal foi um momento importante em termos de visibilidade", analisa Ivair. Com o reestabelecimento do pluripartidarismo trazido pela Lei Federal n° 6.767/79, os grupos negros começaram uma busca por representatividade política. Vários participantes do MNU entraram em partidos e começaram a trabalhar junto aos governos em busca de políticas públicas que acabassem com o racismo. Em 1984, foi criado o Conselho da Comunidade Negra de São Paulo, do qual Hélio Santos, então filiado ao PMDB, foi presidente-fundador. "Em 1888, o Estado brasileiro sancionou a Lei Áurea. Durante um século, quis vender a ideia de que todos eram iguais e não havia mais o que fazer. A partir de 1984, após 96 anos, a busca pela justiça racial passou a ser uma missão do Estado". O conselho Montoro estimulou a criação dos conselhos negros do Rio Grande do Sul, de Minas Gerais, do Mato Grosso do Sul e da Bahia. Em 1988, foi criada a Fundação Cultural Palmares. Coroando a expressiva série de vitórias do movimento, veio a criação da Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), em 2008. "Nesses 35 anos de jornada, o Brasil mudou e o MNU, com sua luta, deixou um legado. É mentira dizer que é um legado para os negros. É um legado para a sociedade brasileira, que ficou melhor", afirma Hélio. O Clube de Regatas Tietê, que em 1978 impediu a participação de atletas negros, hoje assenta a Universidade Zumbi dos Palmares, primeira universidade negra do país. O PERCURSO QUE AINDA FALTA i392231 está longe de ter eliminado a discriminação racial gerada pelo descaso histórico do poder público. Está também distante de redimir os 354 anos de escravidão. Como na infeliz história que abre essa reportagem, a violência e o assassinato de negros continuam, muitas vezes em decorrência das incursões policiais em comunidades predominantemente negras, como foi o caso mais recente dos 13 mortos na favela da Maré, no Rio de Janeiro. Homicídio é a principal causa de morte entre os jovens no Brasil. Em 2010, quase 9 mil jovens entre 9 e 19 anos foram mortos - o equivalente a 48 aviões da TAM caindo todo ano cheios de crianças e adolescentes. Para os jovens negros, essa realidade violenta é muito pior. De acordo com o Mapa da Violência, lançado em 2012 pelo Centro Brasileiro de Estudos Latino-Americanos (Cebela) em conjunto com a Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso) e a Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial da Presidência da República (Seppir), para cada 100 jovens brancos assassinados, aproximadamente 250 jovens negros sofrem o mesmo destino. Em 2010, o índice de mortes violentas de jovens negros foi de 72 para cada 100 mil habitantes, enquanto entre os jovens brancos foi de 28,3 por 100 mil habitantes. Comparando o período de 2002 a 2010 com os números mais recentes, percebe-se uma diminuição na taxa de homicídios entre jovens brancos (antes eram 40,6 por 100 mil habitantes). O mesmo não acontece com os jovens negros que, ao contrário, sofrem com o aumento do índice (que era de 69,6 por 100 mil habitantes). A situação mais grave é observada em oito estados, onde o índice, entre jovens negros, ultrapassa a marca de 100 homicídios para cada 100 mil habitantes. São eles: Alagoas, Espírito Santo, Paraíba, Pernambuco, Mato Grosso, Distrito Federal, Bahia e Pará. A análise por municípios mostra aberrações como em Simões Filho, na Bahia, e em Ananindeua, no Pará, onde são registrados 400 homicídios de jovens negros por 100 mil habitantes - uma quantidade de mortos maior que em certas zonas de guerra. Na ofensiva de Israel à Faixa de Gaza, em 2009, por exemplo, 313 jovens foram mortos, de acordo com dados do Centro Palestino de Direitos Humanos (PCHR). "NESSES 35 ANOS DE JORNADA, O BRASIL MUDOU E O MNU, COM SUA LUTA , DEIXOU UM LEGADO PARA A SOCIEDADE, QUE FICOU MELHOR" "O racismo é institucional. Isso significa que as políticas não contemplam as pessoas adequadamente a partir de uma questão étnica - e isso vale para o negro e os indígenas. O racismo institucional está no DNA das políticas públicas brasileiras, que são inadequadas porque não levam em conta a realidade de um país que passou 70% do seu tempo histórico com escravidão", pontua o professor Hélio Santos. O governo vem trabalhando junto a movimentos negros regionais para tentar sanar essa pandemia de assassinatos. Uma dessas iniciativas é o Plano de Prevenção à Violência Contra a Juventude Negra, que busca, entre outras coisas, o fim da cultura da violência, a inclusão social e a garantia dos direitos desses jovens. O plano tem como foco levar infraestrutura para as comunidades negras e oferecer oportunidade de estudo e ocupação para a juventude que ali mora. O caminho será longo: de acordo com dados do Ministério da Saúde publicados no site oficial do Juventude Viva, criado pela Seppir como parte do programa, mais da metade (53,3%) dos 49.932 mortos por homicídios em 2010 no Brasil eram jovens, dos quais 76,6% negros (pretos e pardos) e 91,3% do sexo masculino. A impunidade dos assassinos de negros também é um problema grave. Os assassinos de Robson Silveira da Luz, apesar de reconhecidos, nunca foram presos. As Mães de Maio, grupo de mães que perderam seus filhos na retaliação policial ao PCC, em 2006, na região de São Paulo e da Baixada Santista, ainda aguardam justiça. De acordo com o grupo, a maioria desses casos foi arquivado pela Justiça. De 1990 para cá, o grupo contabiliza mais de 20 chacinas feitas por milícias ou por policiais militares que seguem impunes. ESSENCIAL PARA AS MANIFESTAÇÕES ATUAIS Dado seu histórico de luta por direitos em um país que continua racista e desigual, o movimento negro poderia trazer contribuições relevantes para os recentes levantes do movimento civil brasileiro. O Censo 2010 apurou que, dos 16 milhões de brasileiros que vivem em extrema pobreza (com até R$ 70 mensais), 4,2 milhões são brancos e 11,5 milhões são pardos ou pretos. De acordo com pesquisa do IBGE divulgada em julho de 2011, as diferenças raciais ou de cor ainda influenciam o acesso a emprego, a relação com justiça e polícia, e o convívio social. Mais da metade da população brasileira (50,7%) é composta por pretos e pardos. O percentual de analfabetos nesse grupo, em 2010, era o triplo do índice de analfabetismo entre os brancos. Ou seja, pautas que têm sido pedidas pelos atuais levantes civis, como a distribuição dos royalties do petróleo entre escolas públicas e SUS, afetam diretamente a massa negra brasileira. Mais do que utilizar esse dinheiro para garantir acesso aos direitos básicos, é importante gastá-lo em programas dirigidos, focando nos negros, que utilizam massivamente a saúde e a educação públicas. "O ensino fundamental atinge quase 99% das crianças, mas tem que se discutir a qualidade desse ensino. O SUS atende a todos, mas não houve um salto de qualidade, e, em minha opinião, esse salto não aconteceu porque a maioria dos beneficiários são negros e esse país tem um racismo institucionalizado. É hora de refinar as políticas, daí a importância do movimento negro pontuando isso nas ruas. Quando agora se fala em 25% de recursos para a saúde e 75% para a educação, eu vou reivindicar recursos para locais mais negramente populados. Há que se ter um foco diferente. Ações afirmativas regionais, um volume de recursos para investir nas áreas carentes, porque os pobres são negros em quase sua totalidade", analisa Hélio. "As pautas daquela época (1978) ainda não foram implementadas, estão vivas, todas elas", complementa Ivair. Fonte: Revista Raça

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